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O lugar do impacto

Publicado a 21 Março, 2019

Estivemos a conversar com Cecília Vieira e Sandra Martins, mentoradas do programa IS_beta da Comunidade Impacto Social, pelo Centro Paroquial de Ribeirão. Tema da conversa: a importância do impacto nas intervenções da organização.

Ouve-se muito falar em impacto social e na necessidade de avaliar as mudanças que surgem a partir da intervenção social das organizações. Antes de se envolverem na Comunidade Impacto Social já tinhas ouvido falar deste tema? Qual é a tua opinião sobre este debate?

Cecília Vieira: Desde que elaboro candidaturas de projetos sociais que considero que, tão importante como medir a sustentabilidade financeira do projeto, é medir o impacto social que este tem nos seus beneficiários diretos e indiretos… Contudo, numa fase inicial não havia muita literatura, em português era inexistente, bem como formação. Não obstante, não era motivo para descurar a importância do impacto social nos projetos.

Sandra Martins: Antes de nos aliarmos à Comunidade Impacto Social já tínhamos conhecimento da importância da avaliação do impacto social das intervenções das organizações que atuam neste contexto. Aliás, foi precisamente por termos conhecimento disto, que pesquisamos a forma como poderíamos medir o impacto social e, nessa pesquisa, deparamo-nos com a iniciativa da Comunidade Impacto Social que nos pareceu ser uma boa primeira forma de obtermos ajuda para esta medição que pretendemos conduzir. Este debate parece-nos muito proveitoso pois impele as organizações sociais a avaliarem as suas práticas, o que leva ao questionamento, à reflexão e, em última instância, à instauração de melhorias. Só mediante um processo, de avaliação do impacto social, se pode aferir se os objetivos a que os projetos procuraram dar resposta estão a ser alcançados, e se não o estão a ser onde residem as lacunas. Este apuramento de resultados ainda está desfasado da cultura das organizações sociais, mas é importante que, na procura da melhoria contínua e numa lógica de melhor servir os seus beneficiários, se adotem formas de medir o impacto social das intervenções deste cariz.

Acham que a medição de impacto é mais uma necessidade, uma obrigação ou uma oportunidade para a vossa organização?

Cecília Vieira: A medição do impacto social é, sem dúvida, uma necessidade porque enquanto IPSS queremos a melhoria contínua nos serviços que prestamos e precisamos de ser eficientes e ter sustentabilidade; uma obrigatoriedade porque nos determina maior objetividade nos resultados e isso torna-nos mais transparentes e faz-nos merecedores do reconhecimento daqueles a quem prestamos os nossos serviços e da comunidade em geral! Deste modo, a medição do impacto social afigura-se como uma oportunidade para o CSPR, na medida em que nos permite conhecer o valor social gerado com a intervenção social e com isso credibilizar o trabalho desenvolvido!

Sandra Martins: Sem dúvida que a medição do impacto é uma oportunidade para a nossa organização. Trata-se da oportunidade de exibirmos objetivamente o impacto social que, de uma forma intuitiva, acreditamos que o nosso projeto desencadeia. Mas esta objetividade é essencial para a credibilidade desta iniciativa, aos nossos olhos e aos olhos dos nossos beneficiários e restantes stakeholders. Por outro lado, a amplitude do conhecimento que esta medição de impacto nos proporciona, possibilitará, no futuro, a melhoria deste projeto naquilo que se revelar passível de tal. Como fica claro, a medição do impacto social é uma oportunidade de melhoria, e é sob esse prisma que perspetivamos sempre o nosso trabalho e as nossas práticas.

Como tem sido a vossa experiência no programa IS_beta?

Cecília Vieira: Tem sido um processo de aprendizagem incrível… sem dúvida muito trabalhoso e nem sempre fácil de conciliar com os afazeres do quotidiano profissional da Casa Santa Maria. Todavia, tem sido muito interessante repensar todo o projeto e com isso reestruturar a estufa acessível em hidroponia, tornando as bases muito mais objetivas, mais científicas, o que, incomparavelmente, é uma mais valia para o CSPR.

Sandra Martins: A nossa experiência tem sido muito positiva. Temos tido a oportunidade de refletir sobre este projeto em toda a plenitude da complexidade do mesmo, atendendo a todos os stakeholders que o mesmo abrange e em todas as mudanças que o mesmo despoleta. Esta reflexão em torno das nossas práticas tem colhido toda a atenção, disponibilidade e conhecimento do nosso mentor, Miguel Lourenço, ao qual expressamos, desde já, o nosso reconhecimento. Este é um percurso que nos enriquecerá, dotando-nos das ferramentas necessárias para, no futuro, conseguirmos, pelos nossos próprios meios, medirmos o impacto social de outros projetos que, com certeza, empreenderemos, numa lógica de potenciarmos sempre as mais valias dos nossos projetos.

Qual é o projeto que estão a avaliar?

Cecília Vieira e Sandra Martins: No CSPR estamos a avaliar o impacto social das estufas acessíveis em hidroponia onde pessoas com deficiência e incapacidade desempenham atividades socialmente úteis desde setembro de 2016.O nosso propósito é o de comparar as mudanças vividas pelos utentes que integram este projeto, em detrimento daqueles que não estão envolvidos no mesmo e desenvolvem atividades estritamente ocupacionais no CAO.

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